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Paulicéia desvairada

27 outubro 2015,   By ,   0 Comentários

Os caminhões rodando, as carroças rodando,

rápidas as ruas se desenrolando, 

rumor surdo e rouco, estrépitos, estalidos…

E o largo coro de ouro das sacas de café!… (…)

Oh! este orgulho máximo de ser paulistanamente!!!

                              _Mario de Andrade- Paulicéia desvairada- Parte I

 

São Paulo é um caso de amor e ódio perpétuo. Às vezes a cidades parece estar de costas para mim. Só vejo a lateral dos prédios, resquícios de outdoors, e carros com insulfilme que parecem andar sem condutores.

A cidade pulsa mas as pessoas não estão lá. Estão ocupadas, despreocupadas e caminham indiferentes a todo resto. É em meio a esta baderna, às buzinas e à falta de cordialidade que eu também me encontro. Esta Paulicéia é e sempre foi desvairada, uma colcha de retalhos, um ecossistema próprio que seduz lentamente.

Não somos uma cidade europeia, muito menos uma Nova Iorque. Temos a pretensão de sermos cosmopolitas, mas somos, por enquanto, uma província com ar de grandeza e gente de todos os cantos. Demorei a ceder aos seus encantos, mas hoje não saberia me localizar tão bem em nenhuma outra megalópole. Não há uma cidade que eu reconheça tão bem através do espelho como minha amada e confusa São Paulo.

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