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(All) about me

Únicos, originais e sedutores

 

Depois de uma conversa com CHANTAL KOPENHAGEN GOLDIFINGER, você nunca mais verá os óculos com os mesmos olhos

 

Além do nome que impressiona de primeira, Chantal Kopenhagen Goldfinger também é capaz de fazer uma declaração impactante: “Se eu pudesse, sairia de casa nua, só de óculos”.

 

Explicamos: Chantal é uma expert em óculos. E não, não se trata de mais de um desses títulos novos para designar uma profissão já conhecida de todos por um nome antigo. Ela realmente pratica uma atividade original e única: transformou uma paixão pessoal em trabalho e dedica-se a pesquisar, colecionar, fazer consultoria e, claro, usar, a maior variedade de óculos possível. “Porque óculos são acessórios únicos, eles contam uma história. Um par de sapatos pretos, por mais que seja bonito e bem feito, se usado por três pessoas diferentes, continuarão sendo sapatos pretos. Um par de óculos não, de acordo com a pessoa eles apresentarão narrativas diferentes”, justifica.

 

Mas, comecemos pelo início. O affair entre Chantal e os óculos começou muito cedo, na infância, observando a relação de seu pai com esses objetos tão singulares. “Ficava fascinada em ver o cuidado que ele tinha não só para comprar os óculos, mas também par guarda-los e conservá-los”, conta. Ao mesmo tempo, se sentia frustrada por ser dona de uma visão perfeita. Pelo menos até a adolescência, quando um oftalmologista recomendou o uso. Estreou exultando o primeiro par de óculos, da marca Gucci, em azul degradê com formato retangular. “Infelizmente, meus amiguinhos da escola não acharam tanta graça”, lembra, mas decidiu enfrentar o bullying e assumir um hábito para a vida. “Para mim era uma questão de sair da zona de conforto, de chamar atenção e também de estar protegida atrás da armação e das lentes”, explica.

 

A experiência com o primeiro par de óculos se estendeu por cerca de dois anos, até se deparar na vitrine de um shopping com um modelo da marca francesa Alain Mikli – uma espécie de Rolls Royce do mundo óptico. Era diferente, era extravagante e selava um compromisso. Chantal ensina: “Usar uma peça incomum é mostrar a sua personalidade”.

 

Óculos passaram a ser a assinatura de estilo pela qual a tornava conhecida. Hoje possui cerca de 350 pares e coloca toda a expertise no assunto no site www.bytheeyewear.com.br, do qual é criadora e editora. Na verdade, trata-se de um conteúdo que apresenta os óculos não apenas como acessório, mas como lifestyle. Além de dicas de modelos e marcas, ela também fala de atitude, postura, comportamento e até saúde.

 

“Sou de uma geração – ela tem 28 anos –que vai precisar de óculos mais cedo do que as anteriores, pela quantidade de estímulos visuais que somos expostos. Enquanto isso, muitas crianças sofrem de subaproveitamento escolar por não enxergarem direito mas os pais não percebem. Sem falar que há um grande número de pessoas desenvolvendo problemas como catarata justamente pela falta do uso de óculos de sol desde criança, que é tão importante como aplicar protetor solar na pele desde sempre”, faz questão de ressaltar.

 

Por essas e outras, em um ano de dedicação ao ofício, Chantal ficou conhecida no mercado muito particular dos óculos, estabelecendo conexões profissionais com fabricantes, colecionadores e o público em geral, frequentando as muitas feiras do setor. “No exterior, existem pelo menos duas feiras a cada mês, sendo a maior de todas a Silmo International”, conta. Dessa última ela passou a fazer parte do júri que a cada edição premia cinco categorias de eyewear.

 

Conversar com Chantal é descobrir um mundo que se acredita conhecer, porém é mais complexo, e fascinante do que se imagina. Por exemplo, você sabia que existem óculos feitos para dormir? Ou que existem os fabricados com a tecnologia de impressão 3D? E tem também os óculos joia, como os da designer sueca Anna-Karin Karlsson. Na França, os óculos são produzidos na mesma região dedicada à alta relojoaria e requerem um tipo de precisão no feitio similar às preciosas máquinas de medir o tempo. E, uma dica preciosa: se você descobrir um exemplar com legítima armação de casco de tartaruga, cuja produção foi proibida a partir dos anos 50, adquira imediatamente. “São o único tipo de armação que se quebrar pode ser restaurada apenas através do aquecimento, sem qualquer tipo de cola, por se tratar de material orgânico vivo”, ensina.

 

Ela revela um lado ativista ao dizer que este empenhada a ajudar a mulher brasileira a se livrar do receio e do trauma de usar óculos. “Não aguento mulheres bonitas postando foto de óculos com a hashtag #nerd”, desabafa. Para ela trata-se de puro preconceito e deseja acabar com isso. Para isso, faz coro com o grande escritor Nelson Rodrigues lembrando que “Não existe nada mais sensual do que um olhar”.

 

Então, ficamos combinados: Óculos, não saia para a vida sem eles.

_Mario Mendes, Jornalista

Detalhes

Personagem: Chantal Goldfinger

Olhar: Caddah

Stills: Caddah & Tatiana Viana

Composição: Mariana Briquet

Sonzinho: The Butterfly Hunter

Ritmo: Flavio Isawa

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