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Boz Eyewear: Criatividade a toda prova

“Devemos fazer história para o futuro”

A indústria tem, de certa forma, deixado um pouco de seu preciosismo para trás. A impressão 3D, os avanços tecnológicos e a máquina comercial distanciaram muitas vezes os criadores de suas próprias criações. Tendências e metas se instalam e a criatividade é posta à prova. Poucas são as marcas que não permitiram que nenhum destes fatores ‘contemporâneos’ distraíssem seu processo criativo. Boz Eyewear é uma destas joias-raras.

 

Boz eyewear

Os óculos Boz Eyewear vieram ao mundo nos anos 90 através das mãos capazes dos já renomados designers Joëlle e Jean-François Rey, da JF Rey eyewear. JF Rey já era uma marca muito forte, conhecida por criar novos limites e por transformar os óculos de grau em acessórios ultra cool nos idos dos anos 80. Cores, formas e muita ousadia sempre foram sinônimos da marca. Dito isto, os óculos Boz não eram estranhos à novidade.

Identidade, fantasia e design estão no âmago do “Boz-look”, que pode ser ornamentado com pedras, ou ser tão cru quanto acetato não polido. A essência da marca está presente em cada detalhe, e é aí que a maestria criativa e o domínio artesanal entram e desempenham um papel enorme.

Joëlle Rey é Diretora Criativa da Boz Eyewear. Antes de entrar para a indústria de óculos ela trabalhou em design de moda. Como uma costureira que começa a imaginar obras-primas de alta costura em papel cortado, o mesmo acontece com Joëlle. Ela pensa nos óculos em termos arquitetônicos. Um desenho torna-se um protótipo de papel (veja, um protótipo de papel 3D ornamentado, mais próximo ao Papier-mâché do que uma simples máscara cortada em 2D), e esse protótipo então absorve cores, texturas e volume e floresce para se tornar os óculos que conhecemos.

Tive o prazer de me sentar durante alguns minutos com Joëlle durante a última edição da feira ótica DaTe em Milão e foi movida por sua energia e paixão. Ela começou nossa conversa com uma frase muito enfática: “Temos de agir como satélites e criar e proliferar a mudança”. Bang! Sem mais ela me conquistou. Se a conversa tivesse parado ali, eu já sairia contente. Segui com minha pergunta: “Como se cria mudança num mundo de ‘ready-mades’, de ‘já visto’, de ‘copycats’, de regras editoriais e de diretrizes comerciais?” Ao que nossa musa respondeu: “Não seguimos tendências. Cor, tecidos e suas fibras orientam nosso processo. Eu observo rostos e culturas muito de perto. Eu tento vestir cada rosto com um óculos específico, e não o contrário”.

Pois bem: inovação técnica trabalhando ao lado da maestria artesanal para criar óculos realmente deslumbrantes, que desde a própria concepção foram pensados para vestir rostos, e não ideais. Passaram-se anos ​​desde o debut da primeira coleção, no entanto, Boz Eyewear ainda segue absolutamente contemporâneo, criando tendências e deixando seguidores ao longo do caminho, tal como esperado. De fato, Joëlle segue “fazendo história para o futuro”, mais uma frase que ficou do nosso breve encontro.

Ahlem Eyewear: Um óculos para quem ama Paris

“Eu queria que a minha coleção representasse a verdadeira Paris, uma cidade que não é definida por marcas ou tendências, mas sim pelas pessoas”.

 

Se a cidade de Paris fosse uma pessoa, Ahlem seria o óculos de escolha.

 

Ahlem Manai-Platt é a designer por trás da marca de óculos que leva seu nome. Somente uma verdadeira parisiense compreende o DNA da Cidade Luz. Toda a história, o caos, a diversão e a singularidade que fazem Paris o que ela é, tudo isto é traduzido em um design chique e elegante, sob o qual foi erguida a marca Ahlem. A marca é uma delicada homenagem à cidade de Paris.

 

Cada óculos é batizado com o nome de um bairro parisiense e as principais características da área são traduzidas no design. A principal inspiração para cada “família” vem da arquitetura e das ruas que tornam cada vizinhança única. Assim como muitos dos designers dinamarqueses que têm um amor por linhas simples, Ahlem também projeta óculos que não se debruçam sobre a ornamentação excessiva e cujas linhas avançam de forma elegante e limpa.

 

Eu arriscaria dizer que deve-se desbravar um óculos Ahlem da mesma maneira que nos permitimos perder e nos encontrar na cidades de Paris para então se render aos encantos e charmes da cidade. É preciso dar tempo para se perder, mover-se lentamente para deixar a armação se mostrar. A beleza está escondida nos detalhes mais sutis, seja no acetato vintage colocado na ponta das hastes como assinatura da designer, nas dobradiças flexíveis, ultra leves e delicadas do mesmo fabricante da Cartier, ou no apoio de nariz feito de cerâmica, ou mesmo no uso de acetato vintage que é uma raridade maravilhosa. Estes são alguns dos detalhes que perfazem uma armação Ahlem.

 

Não é moda, não são as tendências, ou o desejo de se tornar conhecida por emplacar um modelo tipo “one hit wonder”, mas sim muita atenção aos detalhes, completo domínio técnico, e a certeza de estar criando peças atemporais que norteiam o trabalho da Ahlem. As armações da Ahlem não saltam aos olhos, ou gritam por atenção. Ao contrário, são peças silenciosas que se adequam à personalidade do usuário. Ahlem acredita que os óculos são um sinal claro da sua personalidade, algo tão ligado a quem somos, que é quase impossível mentir ou se esconder atrás de uma armação. Todos os designs são projetados para caber nas pessoas, e não estão lá para ser peças carnavalescas que em muitos casos não se alinham à essência das pessoas.

 

Tudo sobre a marca de óculos B. Barn’s

Elegância, referências vintage, tecnologia e uma paleta de cor sublime, tal são as qualidades que permeiam o design da marca de óculos francesa B. Barn’s.

 

Bernard Benouaiche como muitos de seus conterrâneos formou-se optometrista mas depois de alguns anos largou a profissão e embarcou no mundo do design, e lançou a marca B. Barn’s. Disse sentir falta de óculos sexy, que de fato jogassem com a sensualidade do usuário, seja ele homem ou mulher.

A coleção é imaginada e idealizada em Deauville e traz consigo aquela áurea francesa. Todos os elementos vintage estão dados. Todo savoir faire francês está lá. Toda calma da brisa do mar de Deauville está nas peças, no entanto, tudo é re-imaginado de tal forma a empoderar o usuário.

Imagine enquadrar um olhar sedutor, poder chamar atenção a uma piscadela, e iniciar um diálogo com uma simples virada de olho. Os modelos de B. Barn’s o fazem por você. Todas as peças são femininas e são inspiradas na delicadeza das curvas do corpo de uma mulher digna de Man Ray, daí a sedução ser tema omnipresente.

Todas as peças são produzidas em séries de 99, numeradas, limitadas e acompanham certificado de garantia e um estojo de camurça com couro feito à mão. Très chic!

Neste universo permeado por design e onde o excesso prevalece em toda sua elegância os gatinhos ganham proporções quase inimagináveis, os ovais são imensos, e os aviadores tornam-se esculturas.

Os shapes e os polimentos devem ser sentidos, provados e vivenciados. Esqueça o fast, as tendências, as cores do ano. Bernard se quer sabe que estas necessidades existem. Ele desenha de dentro para fora, desenha para mulheres confiantes e decididas, que confiam no poder de um olhar, olhar este que ele ousa enquadrar.

By Helena Bordon

Conhecida por seu extremo bom gosto, ar descontraído e conhecimento ferrenho da moda contemporânea, Helena Bordon com seus óculos by Helena Bordon são hoje nosso #SpecsDesire.

Helena tem um faro para tendências, sendo trendsetter muitíssimo copiada mundo afora. Viajante assídua, resolveu lançar em 2015 sua primeira coleção de eyewear. Segundo ela mesma, esta criação veio suprir um vácuo que ela percebeu no mercado nacional: falta de óculos cool com qualidade e preços acessíveis. Dito e feito: As peças são produzidas no Brazil com acetato Mazzucchelli e lentes Zeiss, com preços entre R$339 e R$359.

Mas o que chama mesmo atenção é quão cool e despretensiosos são os óculos. No logo, 100% DNA. As peças são urbanas e fáceis de usar. Seguem discretamente as tendências, inegavelmente vistas nas lentes espelhadas coloridas, com um toque autoral, que pode ser no uso do metal bronze na ponte, ou o acetato levemente perolado. Os modelos são reflexo do que Helena vivencia em suas viagens. E viraram extensão dela mesma.

Os óculos levam os nomes de suas melhores amigas (squad alert!). A marca não segue calendários internacionais e não vê necessidade de ter datas fixas para seus lançamentos. Tudo é feito conforme se percebe a necessidade e a oportunidade de um novo modelo.

Todas as peças foram concebidas para ser de fato a cereja do bolo. São fun, com preços acessíveis para que as pessoas possam colecionar, e tenham flexibilidade para compor looks de acordo com o tempo, a vontade, a personalidade.

A IDEIA É ESSA MESMA, PODER BRINCAR COM AS DIFERENTES CORES E CRIAR NOVOS PERSONAGENS A CADA DIA. ISSO QUE É O BACANA DESTE ACESSÓRIO, POR ISSO AMO TANTO ÓCULOS

Menos seriedade e mais individualidade. Tá aí uma marca nova para ficar de olho e ter na bolsa. #FicaDica By Helena Bordon

Masahiro Maruyama

Uma forma nascida do diálogo com a imperfeição.

Para a maioria das pessoas o simples conceito de assimetria, aspereza, ou mesmo a imperfeição são absolutamente inconcebíveis. Vivemos em um mundo dominado pela plasticidade, por tendências da moda ready-made e com pouquíssima individualidade. No entanto, esta falta de diferenciação provou-se perfeita para que o designer japonês Masahiro Maruyama criasse obras de arte em Kawada na prefeitura de Fukuia no Japão.

Desde o lançamento de sua primeira coleção em 2011, o designer apresentou quatro linhas de óculos de sol e grau, todas desenvolvidas a partir do traço do desenho de Masahiro. Partindo dos ‘rafs’ ele criou volume com acetato e metal e deu vida a peças assimétricas, e deslumbrantes.

Eu entrevistei Masahiro durante a feira ótica do Mido, da nossa conversa vale ressaltar as inspirações por trás da coleção de 2016:

A composição por linhas retas. As linhas retas definidas pelos seres humanos formam uma base redonda antes de se tornarem linhas curvas. O design está na simplicidade das linhas retas. Eles dão uma expressão fresca aos óculos e a interpretação varia de pessoa para pessoa. Portanto é uma coleção de obra de arte de uma forma incompleta.

À primeira vista os óculos produzido por Masahiro parecem sóbrios ou mesmo sérios. A paleta de cores é muito discreta e elegante. Muito metal, preto e Bordeaux. A beleza, como dito anteriormente, está nos detalhes que fazem seu projeto destacar-se de todo o resto. Para apreciar seus designs deve-se inclinar, investigar a armação, como se faz em um museu ou uma galeria de arte. Nada deve ser interpretado a distância e seus óculos não podem ser tidos como simples, ou apenas “aquilo”, vão muito além.

Masahiro também trabalha com justaposição de cores e metais no que ele chama de “dentro para fora”. A delicadeza nos lembra, e é citada por ele, como associada à ténica japonês de arranjos florais, a  Ikebana . Mas mais do que simplesmente colocar flores em um recipiente, Ikebana é uma forma de arte disciplinada em que a natureza e a humanidade são reunidas. Contrariamente à ideia do arranjo floral perfeito, no qual a coordenação da cor desempenha um grande papel, Ikebana, muitas vezes enfatiza outras áreas menos exploradas da planta, tais como seus caules e folhas, ou, as imperfeições, dando vida e poesia a elas.

Os óculos de Masahiro são um respiro necessário à nossa cultura apressada, perfeccionista e plástica do Ocidente.

BexSpex

Já temos obviedade suficiente no mundo. bens produzidos em massa o suficiente, ruído suficiente, repetição suficiente, pasteurização suficiente, clones suficientes. Em poucas palavras, eu ouso dizer que esta foi a primeira impressão que tive quando me deparei com BexSpex na Vision Expo East, em março.

A marca não é tão jovem. Criada em 2011 por Rebekah Kouy-Ghadosh, desenhada em São Francisco e produzida à mão na Itália. A marca é fun e descomplicada. Os shapes e as cores fazem você querer sorrir ao ver um BexSpex na rua (lembre-se, que pessoalmente acho que todos os óculos deveriam causar uma reação visceral, caso contrário, são apenas o equivalente a um aparelho dental … e quem precisa ver mais daquilo, verdade?).

O clima geral é de muito feminilidade. As formas têm uma vibe decô, e a combinação de cores vem da paleta vitoriana super difundida na arquitetura de San Francisco, cidade natal de Rebekah. A peculiaridade da marca reside no desejo que Rebekah cria. Todas as peças são limitadas a 250 unidades e basta.

Rebeka parte sempre de um pressuposto que haveria de ser norma para qualquer #SpecsAddict: os óculos mudam quem você é. Você é especial; suas armações também deveriam ser.

Durante a nossa conversa na VEE perguntei a Rebeca o que ela esperava transmitir com seus BexSpex, a resposta dela diz TUDO que você precsia saber sobre a marca:

Quero que as pessoas sintam-se felizes usando meus óculos. Eu quero que elas vivam uma vida de alegria ao se olhar através destas armações divertidas. Acho que os óculos moram entre a necessidade e o querer. Você precisa deles para ver, e você os quer para estar na moda. Eles são a sua chance de deixar sua personalidade à mostra. Eu desenhei os óculos com a esperança de que as pessoas terão muitos bons momentos com eles. Quando você se olhar no espelho, eu quero que você abra um sorrisão.

Agora querida, hora de ir perseguir seu “Meow”, não acha?

Rebekah and Oliver
Saturnino Eyewear

Uma viagem ao redor do sol, partindo de Saturno.

É mais ou menos esta a vibe da marca Saturnino Eyewear fundada pelo músico Saturnino Celani, baixista renomado que tem no portfolio shows ao lado de personagens como Jovanotti, Stylophonic, Franco Battiato.

Ao que interessa: roqueiro, cool, fashion e usuário de óculos, vejam vocês. Saturnino ficou conhecido por usar armações bem cool no palco, veja, cool mas não extravagantes como as de Elton John. Flashforward e em 2014 resolveu lançar sua própria coleção, Saturnino Eyewear, que dialoga, e muito bem, com suas duas paixões: música e óculos.

A primeira coleção (que virou carro chefe) é inspirada nos planetas e satélites. Nenhuma armação é discreta, mas ao mesmo tempo não agride o rosto do usuário. O design é sim forte e marcante, mas a beleza está nos detalhes, bem peculiares.

A ponta das hastes, por exemplo (aquela parte que fica atrás da orelha) tem o formato de uma palheta. A ponte é um show à parte. Ao invés de faze-la de acetato, Saturnino usou um fio de guitarra. Cool demais! Alguns modelos têm um acabamento que lembra a textura de um disco de vinil.

Todos os modelos vêm com opções de lentes colorida, um detalhe bem descolado e bastante difundido dentre os músicos, e bandeira levantada aqui no BTE, já que as lentes coloridas são charmosas e podem ser usada durante o dia e à noite. Os modelos são todos unissex. A brincadeira com vermelho matte é um espetáculo, digno de um rock star.

Res Rei

Res Rei, From Italy with love.

Ah quanta poesia! Não preciso nem dizer que com um slogan romântico destes eu já fui flechada pelo cupido.

Morri de amores da primeira vez que vi uma foto da Minerva em turquesa, mas foi só namoro mesmo, infelizmente por motivos múltiplos temos pouco acesso ao infindável mercado ótico no Brasil. Lamentações à parte, vejamos quem é esta marca.

Res Rei é uma marca relativamente jovem (4 anos), com poucos pontos de distribuição. A estratégia por trás da criação e da distribuição é ter tempo suficiente para construir uma identidade e atender a clientes que conhecem a marca e sabem o que buscam nos seus óculos. Não são best-sellers e dificilmente veremos instagram posts com 10 iphones e 10 Res Reis alinhados na mesma mesa das trendsetters que fazem alvoroço no almoço.

O nome deriva do latim e quer dizer “A coisa”. Tudo na produção é italiano até o ultimo detalhe. As coleções tem nomes de imperadores e pesadores. Tudo na marca é bem cult e sofisticado. Não é uma marca comercial ou de fácil digestão, até porque o conceito que norteia as coleções não é seguir padrões, mas atender a identidades pessoais dos usuários. Vou repetir porque é o que mais gosto de fazer: Os óculos não deveriam atender a modismos, mas sim ajudar a criar personalidades INDIVIDUAIS, por favor, saíamos da massa amorfa que certa o mundo ready to-eat-wear-made-do!

O design é extremamente delicado, as cores, embora múltiplas, são escolhidas a dedo para conversar com o nome da ‘família’ seja ela a Minerva ou o imperador Aurélio.

Novidade apresentada no Mido que foi bastante vista em outras marcas é o shape hexagonal e a lente base zero. Muitas marcas apostam no acetato mais leve e em brincadeiras de cor, como esta do Giove com uma linha fininha destacando a lente do corpo da armação.

Res Rei é uma marca que vêm sendo construída devagarzinho, mas com o direcionamento de quem sabe o que faz. Vale olhar de perto e investir em um parzinho, uma coisa eu garanto, você não vai cansar de usar e não vai ver muita gente copiando seu estilo por aí.

Traction

Traction Productions faz referencia direta à Traction Avenue em Los Angeles, rua famosa por abrigar galerias, artistas e boêmios. No entanto, Traction é uma marca super francesa que data de 1872, e está até hoje sob comando da família que a fundou, os Gros.

Por existir no cruzamento entre o estilo de vida laid back do californiano e a elegância francesa a marca busca sintetizar este mood em todas suas peças. A arte, o estilo de vida cosmopolita, a arquitetura e as viagens são norte para cada coleção, que tem em comum um design audacioso.

A última campanha traz a feminilidade ao primeiro plano. São peças fluidas com design arredondado e lentes grandes que conversam com os anos 60. Tudo é muito delicado e sofisticado. Esta é uma enorme diferença entre as marcas que têm o design em seu DNA e não precisam correr atrás de modismos, e marcas mais jovens que querem estar no spot light, e no rosto de trend setters. A diferença é que elegância não cai de moda, e é acima de tudo um estilo de vida.

Lucas Gros, designer e membro da família fundadora, tem muito claro para ele e para seu time que quando se domina o básico é possível navegar no âmbito da haute couture, produzindo peças únicas e experimentais. Desta percepção surgiu uma linha excepcional que vem sendo comercializada há algum tempo (inclusive no Brasil) que mistura resina e acetato.

Tudo começou quando uma revista italiana lançou o seguinte desafio: “Qual a sua interpretação de arte nos óculos”? Os designers da Traction estudaram, rabiscaram e chegaram a uma definição perfeita: textura das pinturas no acetato. Mergulharam nas pinturas de Pierre Sourlage e Piet Mondrian e desenvolveram uma técnica de aplicação de resina no acetato que fizesse referencia direta às obras primas.

O resultado são estas peças com textura e sensação de tridimensionalidade.

Novidade apresentada no Mido é este design que presta homenagem ao famoso Dr. Spok, de Star Trek, com extrema elegância e pegada fashion.

Hapter Eyewear

“Feche os olhos, e veja o mundo” Eric Balzan e Mirko Forti, fundadores.

Hapter significa reconhecimento do entorno pela percepção. Os óculos produzidos são absolutamente sensoriais e vão na contra mão dos excessos, do barulho e da necessidade de gritar mais que seus concorrentes.

Foi em 2009 durante uma escalada corriqueira nos arredores de Belluno que os fundadores encontraram um par de Goggles da 2a Guerra Mundial, intacto. Este achado arqueológico despertou nos rapazes, alpinistas nas horas vagas e amantes de design, o desejo de resgatar a funcionalidade e a simplicidade desta peça que fora essencial em uma zona militar, tal qual é os Dolomites.

Foram três anos de pesquisa histórica e tecnológica para chegar aos óculos que hoje são reconhecidos de longe por qualquer specsaddict.

Cada óculos é composto por uma peça única de aço cirúrgico recoberto por uma camada finíssima de tecido. Tecido este desenvolvido a quatro mãos na fábrica da Cerutti partindo dos arquivos dos uniformes militares dos anos 20 e 40. As cores e as tramas são as mesmas daquele período. Os óculos não têm nenhum parafuso, são extremamente resistentes e flexíveis.

O processo de produção é guardado a sete chaves. Cada etapa é realizada em uma fábrica e bem como a Coca Cola, apenas os fundadores têm a receita completa.

 

Com design mininal, e funcionalidade evidente, Hapter propõe uma maneira nova de enxergar o mundo, de dentro para fora, sem pirotecnias, com cores provenientes da natureza, resgatando a história e o estilo de vida dos que lutaram no fronte há décadas.

A primeira vez que vi a marca no Silmo, fiquei espantada. Ao contrário dos vizinhos que traziam estandes abertos e claros, o stand da Hapter parecia um refúgio em algum pico nevado. O café era servido em canecas de metal, todos os móveis e paredes eram de malha de aço, o marrom prevalecia e os fundadores e parceiros que lá estavam vestiam macacões e botas como se fossem de lá para a montanha buscar abrigo. Pensei na hora, que coisa mais diferente e pesada, e não nego, masculina. Fui chegado perto e me despi de todos estes preconceitos.

As peças não têm gênero, não têm estação, simplesmente existem. São aquilo que se propões ser: um respiro em meio ao coas urbano. São leves e práticas como a vida na montanha há de ser. Os óculos vestem como uma pluma. E são curiosos de ver e de tocar. Estou tão acostumada ao toque do acetato que me vi correndo os dedos pelas hastes por minutos sentindo a trama do tecido.

Me envolvi com a história e como acredito que sempre deve ser com os óculos, aos poucos me deixei levar, e me permiti ver o mundo a partir daquela perspectiva de quem vê tudo de cima do pico nevado.

A marca vem explorando cada vez mais o legado montanhoso e as pegadas que deixamos nas montanhas. E no Mido lançaram o modelo RBBR001, que traz nas hastes o patern do asfalto do topo das montanhas, e lentes amarelas que são ótimas para aumentar o contraste entre os elementos. O design bem como o processo de produção prestam homenagem aos que vivem ou viveram na natureza.

Mesmo que você não tenha o privilégio de morar na natureza, como é meu caso, traga o Hapter para o ambiente urbano. Ele vai se adaptar e vai chamar atenção. É um design simples, mas extremamente tecnológico e tem um acabamento curioso que pouco se vê por aí. Se não disto te convencer, garanto que terá um bom papo no bar com os amigos.


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