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Óculos metálicos

O minimalismo voltou?

Pensei bastante antes de escrever este texto. Eu sou favorável ao “mais é mais” e, no entanto, não posso negar que os óculos de metal estão fazendo um retorno ENORME e estão ganhando um espaço bem merecido entre nós amantes dos óculos.

O cenário atual no mundo dos specs é de metal minimal e sem gênero. A nostalgia reina neste meio onde o metal é o novo passe-partout do estilo contemporâneo. O metal é limpo, sofisticado, serve de dia e à noite e é para muitos designers, ‘genderless’. Quão contemporâneo é este debate, hein? O que está em jogo é a forma, seja ela linear, redonda, geométrica ou angular. As cores principais desta temporada são preto, ouro e prata, se for em metal precioso, melhor ainda.

O metal tem uma qualidade interessante porque esconde muito pouco do seu rosto e permite que você faça seu próprio estilo ao redor da armação. O metal é neutro, o metal é duradouro. Dito isto, um grande número de marcas incluíram um ou mais shapes de metal em seu mix nesta temporada. Embora o foco aqui sejam os óculos de receituário, os óculos de sol também participaram deste jogo. E, curiosamente, a maioria das formas se encaixa divinamente bem nos rostos de homens e mulheres.

Arquitetura e arte desempenham um papel importante

A marca francesa Face à Face desenhou um par inspirado nos traços do artista Sol Lewitt, considerado o fundador da arte minimalista e conceitual. Um excelente ponto de partida para nós. Outro par foi desenhado e nomeado em homenagem ao movimento De Stijl que ocorreu na Holanda, conhecido pela “universalidade através da redução dos elementos essenciais de forma e cor, simplificando as composições visuais ao mínimo: verticais e horizontais; reduzindo as cores às essenciais: pretas, brancas e primárias”. A marca espanhola Alfred Kerbs inspirou-se no móbile do artista Alexander Calder, um tipo de escultura em movimento feita com formas delicadamente equilibradas em fios metálicos. O modelo AIRPLANE, tem a leveza de um móbile, a liberdade de um avião, e a maestria de um equilibrista. Lool eyewear, uma marca jovem e promissora baseada em Barcelona, inspira-se na própria cidade para criar desenhos em chapas de aço. Seu design da série Tectônica é um grande exemplo de arquitetura em óculos. “Eles são trabalhados à mão, um por um em um processo técnico preciso, combinando o industrial, o manual, o homem e a máquina. As linhas de design refletem a nossa influência principal, o retrofuturismo infundindo desta forma sua personalidade única para todos e cada um de nossos peças.”

Vintage revisitado e reinterpretado

O metal tem sido usado há mais tempo do que o acetato, portanto, a história imortalizou uma série de figuras importantes usando pequenas e redondas armações metálicas. As marcas contemporâneas sabem disso, e reivindicaram esse traço. Os óculos da LGR eyewear são bem conhecidos por trabalhar desenhos vintage em suas formas modernas e contemporâneas, todas nomeadas em homenagem um país africano, de onde a maior parte da inspiração vem. Os óculos Transvaal são um excelente exemplo de um modelo bem ‘old-school’ trazido para 2017 de uma forma extremamente inteligente e fashion. Bravo! O modelo Driver Seat da nova iorquina Smoke x Mirrors é inspirado na cena do rock da Inglaterra do final da década de 1970. Simples e bacana. Club House do residente de Venice Beach, Garrett Leight, é uma coleção refinada que revisita os clássicos masculinos dos anos 80, mas desta vez, sem gênero.

 

Preciosos

Algumas marcas elevaram o nível trazendo metais preciosos para a discussão, deixando claro que os óculos têm sim qualidade de joia. Linda Farrow criou um aviador sofisticado que de longe parece quase um meio aro. A mistura elegante de titânio japonês com ouro branco equilibra e repagina um clássico do eyewear: o aviador. O Clairaut da Leisure Society é nomeado em homenagem ao astrônomo Alexis Clairaut. Este óculos possui um design de dois tons “óculos dentro do óculos” que é projetado habilmente usando 10 parafusos escondidos. O aspecto distinto do óculos é obtido através da escultura de blocos sólidos de titânio. Titânio 100% puro em prata 12k, ouro 18k, ouro rosa 18k combinados com ponteiras de titânio correspondentes. Individualmente numerados e manualmente produzidos no Japão, este é um exemplo puro de óculos-joia. A edição limitada Concorde, da francêsa Ahlem, é feita de Paládio mergulhado em 3 mícrons de ouro, seja branco, rosa ou amarelo.

 

BexSpex

Já temos obviedade suficiente no mundo. bens produzidos em massa o suficiente, ruído suficiente, repetição suficiente, pasteurização suficiente, clones suficientes. Em poucas palavras, eu ouso dizer que esta foi a primeira impressão que tive quando me deparei com BexSpex na Vision Expo East, em março.

A marca não é tão jovem. Criada em 2011 por Rebekah Kouy-Ghadosh, desenhada em São Francisco e produzida à mão na Itália. A marca é fun e descomplicada. Os shapes e as cores fazem você querer sorrir ao ver um BexSpex na rua (lembre-se, que pessoalmente acho que todos os óculos deveriam causar uma reação visceral, caso contrário, são apenas o equivalente a um aparelho dental … e quem precisa ver mais daquilo, verdade?).

O clima geral é de muito feminilidade. As formas têm uma vibe decô, e a combinação de cores vem da paleta vitoriana super difundida na arquitetura de San Francisco, cidade natal de Rebekah. A peculiaridade da marca reside no desejo que Rebekah cria. Todas as peças são limitadas a 250 unidades e basta.

Rebeka parte sempre de um pressuposto que haveria de ser norma para qualquer #SpecsAddict: os óculos mudam quem você é. Você é especial; suas armações também deveriam ser.

Durante a nossa conversa na VEE perguntei a Rebeca o que ela esperava transmitir com seus BexSpex, a resposta dela diz TUDO que você precsia saber sobre a marca:

Quero que as pessoas sintam-se felizes usando meus óculos. Eu quero que elas vivam uma vida de alegria ao se olhar através destas armações divertidas. Acho que os óculos moram entre a necessidade e o querer. Você precisa deles para ver, e você os quer para estar na moda. Eles são a sua chance de deixar sua personalidade à mostra. Eu desenhei os óculos com a esperança de que as pessoas terão muitos bons momentos com eles. Quando você se olhar no espelho, eu quero que você abra um sorrisão.

Agora querida, hora de ir perseguir seu “Meow”, não acha?

Eye to Eye com Fabrizio Rollo

Existia um momento em que eu estava atrás de um óculos para me esconder ou fazer um tipo, e hoje este tipo não existe mais, porque eu realmente preciso dos óculos, e eles fazem parte de mim como se eu os tivesse usado a vida inteira.

Detalhes

Personagem: Fabrizio Rollo

Olhar: Tatiana Viana

Kuboraum eyewear

Você é livre para escolher

Arrisco dizer que Kuboraum não é uma marca; é uma afirmação, ou melhor, um manifesto. O que eles produzem não são óculos, são máscaras cuidadosamente pensadas para delinear a personalidade e o caráter do usuário. Máscaras tão fortes que são capazes de mudar a percepção de si. Cada peça dá ao usuário a oportunidade de se olhar no espelho e ter um sentimento de evolução e de autenticidade. Os desenhos visam nos lembrar do poder dos extintos Maias e os antigos Samurais, mas ao mesmo tempo sugerem um cenário futurista, elementos que podem ser resquício de uma viagem pelo tempo e pelo espaço.

As Máscaras Kuboraum são sinônimo de acentuação, proteção e abrigo. Kuboraum são como pequenas salas cúbicas, espaços particulares onde buscamos abrigo do mundo, e de nós mesmos, mas também onde somos livres para viver nossa intimidade, e nos permite filtrar o mundo através de suas lentes.

Os óculos pertencem a uma categoria própria, misturando escultura e arte, onde todas as peças fazem jus ao slogan: Máscaras imaginadas em Berlim e feitas à mão na Itália. A geometria, o passado duro e seco da cidade são traduzidos nas linhas dos óculos. Isto resume sua essência: extrema qualidade e know-how da produção italiana, alinhada à experimentação inspirada pela efervescência cultural de Berlim.

O conceito por trás das máscaras sem logo é permitir espaço para que o usuário possa explorar sua própria personalidade. Seguindo no tema da descoberta, a marca optou por usar pessoas reais em toda a sua comunicação como meio de documentar o atual cenário global, que é sinônimo de Berlin, e deixar claro que há uma máscara para cada tamanho de personalidade.

Fiquei super curiosa em ver as peças de perto. No Brasil ainda não há representantes. Encontrei algumas peças na Itália e me decepcionei bastante. O conceito e a história são deslumbrantes (verdadeira propaganda), mas nas mãos as peças são grosseiras e pesadas.

Cada óculos recebe um acabamento diferente, e poucas têm acabamento com brilho ou superfícies lisas. A maior parte das máscaras tem aspecto de protótipo ainda em fase de produção. A superfície é áspera, opaca e imperfeita. Quase todos os óculos são pretos, salvo alguns, poucos, em tartaruga marrom escuro. No meu rosto os modelos ficaram desproporcionais, pesados e, por mais que eu adore me diferenciar, estes desenhos não enalteceram nada de bom.

A Kuboraum lançou faz pouco tempo uma linha com fios de ouro 18K. O resultado é interessante. O ouro e o acetato sobrepostos lembram jóias tribais, com pequenos elementos de delicadeza. São peças bonitas, bem diferentes, mas caras demais para a proposta, na minha opinião.


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