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Frames of Life

“A beleza está nos olhos de quem vê”

Partindo desta premissa, e sabendo que os óculos são mais do que uma ferramenta para enxergar, mas um meio para quem quer ver, Armani lançou uma campanha poética e cinematográfica para a linha FRAMES OF LIFE.

“As armações da coleção Frames of Life foram pensadas para personagens especiais e para as pessoas que como eles querem ver o mundo com seu coração e sua alma, não apenas com seus olhos. Porque os óculos são uma maneira de capturar uma série de instantes únicos que perfazem nossas vidas”.

São 5 personagens, com cinco histórias diferentes, cinco maneiras particulares de enquadrar o mundo, e cinco gostos diferentes. Os filmes são em preto e branco, bem inspiracionais e emocionais. O trabalho final é magnífico. Não é uma campanha tradicional, não é propaganda que te leva à compra, ao contrário, te seduz e te faz perceber que você também pode fazer parte, também pode enxergar o mundo por este mesmo prisma, ou através da mesma armação que os personagens da telona.

Os óculos apresentados seguem a linha clean, simétrica e elegante da Maison Armani, mas o fato de ele ter usado storytelling, personagens jovens, e destemidos, trás uma jovialidade e uma descomplicação que os anúncios tradicionais da marca não conseguem.

Seguindo nesta toada de lentes de cinema vis à vis lentes para a vida, projeto este que começou em 2012, Armani levou a narrativa e suas armações um passo além. Junto com a emissora italiana RAI se juntou a 6 escolas de Cinema no mundo e viabilizou a produção de 6 curtas por estudantes de 6 países: City of frames. As histórias têm os óculos da coleção Frames of Life e o olhar dos personagens como fio guia. Sugiro uma pausa para esta mini sessão de cinema com uma bela armação no rosto!

Cheers!

Lixo para usar

Cyrus Kabiru sempre quis usar óculos, mas seu pai não achava graça e não via (pois não havia) necessidade daquilo no rosto do seu filho. A vontade virou uma obsessão que mais tarde desembocou em obra de arte.

Kabiru vive e cria em Nairobi. É um artista auto de data, que trabalha com pintura, escultura e desenhos, tendo o humor e a arte contemporânea como ponto de partida. Dado que ele se enxerga como um flaneur, o olhar dele para o mundo e do mundo para ele são um casamento vital. Não é de se estranhar que ele tenha se tornado mundialmente conhecido por sua série C-Stunners, uma produção contínua na qual dejetos são transformados em óculos.

As peças finais são híbridas e passeiam entre moda, wearable art e performance. São peças únicas. Cada uma é produzida juntando os diversos materiais como alumínio, cartolina, e plástico, resultando em obras divertidas, cheias de energia e atitude, que, de acordo com Kabiru retratam a energia e vitalidade da nova geração de Nairobi.

Os óculos proporcionam ao usuário uma nova lente e mudam a maneira como enxergam o mundo e claro, a maneira como se colocam.

Ao andar pela cidade com meus óculos os óculos vão chamar muita atenção, e se você estiver estressado e quiser evitar as pessoas, os óculos são o anteparo perfeito, focam e centralizam a atenção, você nem precisa se manifestar.

Óculos que mostram o índice de poluição das cidades

Stefanie Posavec e Miriam Quick surfam na onda dos ‘wearables’… tecnologia e design com usabilidade. As artistas digitais desenvolveram uma série de óculos e de bijoux cujo produto final nada mais é que um compilado estiloso de sensores que medem e mapeiam a qualidade do ar sobre nós.

“Air Transformed” é uma série de objetos desenhados a partir de dados de open sources traduz em índices de poluição. A primeira cidade a testar a série é Sheffield na Inglaterra. O projeto por lá é comissionado por: Open Data Institute, como parte do projeto AirQuality+ .

Seeing Air (literalmente olhando para o ar) é um óculos feito de três chapas que mostram os níveis de poluição atmosférica em dias diferentes. Eles apresentam lentes de perspex, sendo que cada uma representa um poluente diferente : marrom para o dióxido de azoto , azul para as pequenas partículas , e verde para grandes partículas.  Os desenhos na lente representam os índices de poluição, sendo que os padrões mais amplos representam níveis mais elevados. Os desenhos formam uma nuvem para quem veste os óculos, fazendo alusão à nuvem de poluição que nos ‘cega’ diariamente.  Demais né? Imagine quando isto chegar aqui…

Fomo não é fome

Fomo = Fear of missing out, do Inglês, medo de ser deixado de lado, ou de fora.

No meu caso, FOMO absurda ao ver as timelines do Instagram e do Facebook mergulhadas em imagens ora plásticas, ora dramáticas do Burning Man que terminou no final de semana. Escrevi sobre a expectativa do festival, e de fato, não ficou para menos.

A Playa (como os veteranos se referem ao deserto) virou passarela para tanta coisa. Li e reli relatos de pessoas que foram. Babei nas fotos e ainda estou tentando entender o que é esta experiência quase transcendental (e morrendo de vontade de ir vivenciar de perto…rumo a 2016).

Em linhas gerais ousaria dizer que Burning Man é uma bela comunidade nômade, autônoma, com validade de uma semana, com uma população de +- 70mil pessoas vindas dos quarto cantos, para este “Carnaval de espelhos”. Mas não são pessoas, per se, são alter egos.

Os egos desfilam com roupas que normalmente não usariam por pressão social ou vergonha, mesmo. Dá-lhe couros, tachas, penas sintéticas, botas bem pesadas, topless e muitos goggles, mais precisamente Steampunk goggles (descobri hoje no Google… são designs que visitam o set de “Waterworld” e passeiam pelas montanhas Suíças. Requinte, apesar de peças brutas).

Criatividade em alta.

A areia é tomada por carros alegóricos que vão de Flintstone a coelhinho da Páscoa. A impressão que temos, e esta parte é bem divertida (o festival prega o desapego, tanto é que no sétimo dia todas as estruturas são queimadas) é que embora não tenham wifi ou energia elétrica, a maior parte dos participantes não consegue se desapegar da vida digital. Os passos, as roupas, as caras e bocas são todos documentados para serem posteriormente postadas a exaustão assim que chegaram à cidade grande.

O desapego enquanto prática teórica está lá, mas todos que ‘praticam’ são bem apegados. Não vi uma pessoa que não tenha entrado no clima, (leia-se comprado acessórios e roupas dignos da ocasião) com roupas, looks, e as poses padrão perto das esculturas, ou quem sabe, quem praticou independência não fotografou e eu não puder ver! Ah esta economia do “fotografei logo vivi”!

O bom é que ano que vem tem mais. Quem sabe até lá consigo montar meu enxoval, alugar um trailer, comprar e decorar uma bicicleta, criar um personagem (mentira, porque esta já tenho: Peggy meets Priscilla) e me preparar para uma semana de fotos #burningman.

Cheers!

Peggy Guggenheim por um dia

E se sua meta fosse comprar uma obra de arte por dia?

I took advice from none but the best. I listened, how I listened! That’s how I finally became my own expert.

Peggy Guggenheim, cujo nome verdadeiro era Marguerite, foi uma das colecionadoras e mecenas que mais se destacou no século XX. Peggy adquiriu obras dos artistas contemporâneos mais importantes da época, como Salvador Dali, Joan Miró, Marc Chagall, René Magritte, Jackson Pollock, Giorgio di Chirico, Pablo Picasso, Piet Mondrian, Yves Tanguy e Max Ernst (os três últimos amantes e marido de Peggy, respectivamente).

Peggy levava uma vida excêntrica e boêmia, convivendo com inúmeros artistas, especialmente no período entre-guerras. Este ambiente fervoroso e criativo, e seu faro por tendências, fez dela uma ditadora de modismos.

Segundo reportagem da Vogue, ela gostava de dizer que as roupas refletiam seu estado de espírito e defendia a moda como uma importante expressão artística. Não é de se espantar então que ela tenha elevado o óculos a um outro patamar: arte-desejo.

Entre tantas extravagâncias fashion, uma delas ganhou especial notoriedade, tornando-se um dos ícones de seu estilo: os óculos de sol em formato de borboleta. A peça foi desenhada pelo amigo surrealista Edward Malcarth em 1966. A armação apresenta lentes espelhadas ton-sur-ton, com perfis contrastantes em tons castanhos, remetendo às recordações românticas e reflexões sobre os azuis dos canais de Veneza.

No ano passado, a Safilo lançou uma edição limitada dos icônicos óculos da Peggy em comemoração aos 80 anos da empresa. Os modelos podem ser comprados na fundação Peggy Guggenheim e na Solstice.

Vivenciar Veneza pelas lentes azuis de Malcarth, vendo os canais do terraço da fundação Peggy Guggenheim é um sonho! Passar pela Casa da Peggy com calma é um raro prazer aos amantes de arte. Outra dica é o documentário “Peggy Guggenheim-Art Addict“. O longa metragem conta a história da famosa colecionadora de arte. Em suma, Peggy vai muito além das histórias que ouvimos e lemos, ela era uma desbravadora, uma mulher independente e cheia de atitude antes da invenção de qualquer movimento feminista. Ela é ainda hoje um ícone contemporâneo.


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