Desfile Archives | By The Eyewear
Thom Browne eyewear 2017

Thom Browne fez mais um happening durante a semana de moda de NY. Desta vez ele trouxe a vibração de Palm Beach dos anos 60 para Manhattan, e o fez em grande estilo, no melhor clima: sonho de um dia de verão, em pleno Chelsea.

De acordo com uma entrevista publicada no site WWD, Browne queria criar uma atmosfera: “Slim-Aarons-encontra-David-Hockney-encontra-fun-pool-party”, referenciando o mood lânguido capturado por Aarons em suas famosas fotos em Palm Beach.

Esta foi a pool party mas plástica, geométrica e milimétricamente calculada que já existiu. Não houve nenhum respingo ou fios fora do lugar. Os biquínis, eram obviamente de cashmere, afinal, why not? Trompe l’oeil foi literalmente trabalhado em todas as peças. O que à primeira vista pareciam ser saias, camisas, ternos e casacos divinamente sobrepostos, revelaram-se peças únicas, bordadas com todo efeito e precisão de um mestre do ilusionismo.

O que nos leva ao óculos de sol: Um show dentro do show.

Todas as modelos (sim, todas) entraram de óculos e enquanto despiam as demais peças para revelar camadas e subcamadas, os óculos permaneceram deslumbrantes em seus rostos. Os modelos foram desenhados especificamente para este desfile, e trouxeram a maestria técnica de Thom Browne, conhecido por trabalhar muito bem metais e lentes base zero, à cena.

Se as roupas eram românticas e tinham aquele apelo vintage, as armações eram inusitadas e bem vanguardistas. As lentes todas espelhadas, e a brincadeira maior se deu nos recortes, e apliques tanto nas frentes como nas hastes que referenciavam diretamente elementos do oceano, como: peixes, baleias, âncoras, e boias. Pura diversão!

Bravo!

Moschino 2016: Arte e Moda

2016 começou audacioso, com um desfile do Jeremy Scott para Moschino que desafia a realidade.

Scott levou às passarelas uma coleção que desafia os padrões de realidade. Os volumes e as sombra são pintadas à mão, as cores gritam, os óculos são caricatos. Os traços não só buscaram inspiração, mas beberam na fonte imaginária dos lendários artistas Gilbert and George. Os modelos são mais personagens, e a moda dele, um pedacinho da imaginação conjunta de seres evoluídos que não devem nada ao dia a dia. 

We don’t have to ask anyone’s permission to do anything _Gilbert & George

Quem nunca pirou num backstage?

Quem nunca?

Raras as meninas que não sonhavam ou sonham em ser modelo. Poucas têm a chance de vivenciar de perto editoriais, desfiles e semanas de moda. Quem passa por um backstage não sai incólume.

Quem está sentado esperando o desfile começar nem imagina a tensão, a adrenalina, e o nervosismo que reinam por trás das passarelas. Os protagonistas buscam ferramentas para manter a calma e o foco, enquanto os coadjuvantes tentam abraçar o frio na barriga da melhor maneira que conhecem. As técnicas de distração são múltiplas: reza, leitura, palavras cruzadas, instagram, crochê, bate papo, facebook, snap chat, silêncio, sorrisos, abraços…. porém nada é capaz de tirar o foco das meninas e meninos que terão um pouco mais de 2 minutos para brilhar, ousar, marcar presença com um passo mais forte, uma jogada de cabelo ou um olhar matador. A pressão é imensa, mas também é a recompensa.

Neste ambiente meio mítico, meio circense onde todos se viram para acertar os últimos detalhes, onde tudo parece de fato ter ficado para o último minuto, temos olhares ocultos que documentam esta vida paralela. Mostram quão humanos são as figura míticas que iremos idolatrar em questão de minutos na passarela. Os cliques inesperados, mas por eles bem calculados, são valiosíssimos e flagram um misto de emoções, concentração, o momento da transformação e todo este buzz que muitas pessoas se quer sonham acontecer. Sergio Caddah é um destes olhares que passeia livremente por backstages há mais de 10 anos e tem um tino para capturar aquele olhar desprotegido, o detalhe do make, um fio de cabelo que não quer se aquietar, um foco de luz que aponta para uma bancada cheia de informações, uma modelo sozinha, um passo, um produtor,  e pah, elas embarcam na passarela. Show time!

O olhar é todo dele, o mestre do backstage: @caddah

A agência por trás do mestre: @agfotosite

Os óculos que desfilaram nas passarelas da MFW

Os óculos que mais marcaram a semana de moda de Milão.

Gucci

A Maison está passando por uma fase de transição. O novo diretor criativo Alessandro Michele substituiu muito do legado do sex appeal deixado por sua antecessora, por uma figura feminina mais sofisticada e ‘geek’ (não sou fã desta conotação, mas é assim que o próprio Michele descreve suas modelos). A coleção SS16 misturou elementos com cunho vintage, romance e tecidos dos mais diversos. Michele declarou não se interessar pelo futuro (sei!) daí a busca por esta mulher que passeia por guarda roupas antigos, vintages, ou da vovó mesmo J Os óculos são imensos, quadrados ou redondos, com lentes coloridas à los anos 70, e alguns com glitter igualmente Dancing Days. Funcionam do ponto de vista da moda, mas não enaltecem os olhos e certamente não favorecem os narizes e as feições delicadas das modelos andróginas que os desfilaram.

“Dangerous Couture Ahead” Moschino alert

Jeremy Scott conseguiu fazer da moda uma grande brincadeira. Seus desfiles bem como suas coleções são jocosos e coloridos, um verdadeiro espetáculo. SS16 viu a passarela se transformar em um pátio de obras. Tanto é verdade que as roupas ganharam elementos brutos e reflexivos vindos destes ambientes. Muito laranja, amarelo e branco. Cones viram bolsas e chapéus. Fitas zebradas e rolos de linha passaram a ter o mesmo peso. Mas, em meio a esta muvuca Scott também nos levou para passear num mundo rosa, bem sessentinha, cheio de plumas com um feeling de Garotas Super Poderosas.

Prada

Miucca seguiu com seus estudos em prol de uma mulher mais feminina e sofisticada, brincando como sempre com cores e tecidos. Os óculos, grandes (como todos apresentados nesta estação), lentes dégradé, e apenas uma chapa de acetato brilhante nas laterais. Peças leves, com cores bem sóbrias.

Fendi

A Fendi continua disputando os narizes com a Dior. Ambas estão em uma batalha acirrada para ver quem terá os óculos de sol da estação. Dado que as duas marcas estão muito bem (obrigada) no que diz respeito ao design e tecnologia, a luta será apertada! Em Milão a Fendi seguiu com os óculos apresentados no passado, mas com cores novas, muito metal, e ainda mais recortes. Um verdadeiro trabalho de geometria que conversou lindamente com as roupas: precisas e sofisticadas.

Marco de Vincenzo

Este é um dos meus designers favoritos. Há tempos ele brinca com cores, misturando-as em paletas leves e divertidas. Esta coleção assistiu a um desfile eletrizante, como uma queima de fogos. Os óculos: um modelo apenas, retangular, trabalhou lentes com cores fortes, reafirmando o DNA colorido e avant garde da marca. São peças lindas, mas não tão fáceis de usar.

Bottega Veneta

Tomas Maier, o criativo por trás da Maison, quer dar à sua cliente conforto e elegância. Dito isto, a coleção apresenta uma moda fácil de usar e bonita de ver. O mesmo vale para os óculos. Não há nenhuma ousadia, mas são exatamente o que esperamos da Maison. Clássicos e funcionais, bem como as coleções ópticas apresentadas no passado.

Marni

A moda Marni é quase um quebra cabeça, composto por roupas largas, e um excesso de sobreposições. A coleção SS16 é exatamente isto: camadas e camadas com o ocasional toque de grafismo e muitas cores vibrantes advindas de um jogo de lego. Bem como Prada, a Marni trabalhou o acetato apenas em partes, trazendo leveza aos modelos over size que replicam as cores vibrantes da estação.

Dolce and Gabbana: That’s Amore

A dupla, como sempre, criou um cenário e todo um misticismo ao redor do desfile. O clima italianíssimo a lá anos 50, projetava uma clássica cena italiana possivelmente encontrada em cidades do sul, com bancas de frutas, cores e SELFIES! Sim, muitos selfies na passarela e nos bancos. Tudo nesta coleção é over! Estampas, cores e cortes. Os óculos de sol são todos muito barrocos, enormes, cheios de aplicações que vão deste pedras a tecidos, de forma que as lentes são trabalhadas como extensões da própria roupa. Esta técnica é bem interessante e vem sendo explorada há algumas coleções por Ulyana Sergeenko.

Fomo não é fome

Fomo = Fear of missing out, do Inglês, medo de ser deixado de lado, ou de fora.

No meu caso, FOMO absurda ao ver as timelines do Instagram e do Facebook mergulhadas em imagens ora plásticas, ora dramáticas do Burning Man que terminou no final de semana. Escrevi sobre a expectativa do festival, e de fato, não ficou para menos.

A Playa (como os veteranos se referem ao deserto) virou passarela para tanta coisa. Li e reli relatos de pessoas que foram. Babei nas fotos e ainda estou tentando entender o que é esta experiência quase transcendental (e morrendo de vontade de ir vivenciar de perto…rumo a 2016).

Em linhas gerais ousaria dizer que Burning Man é uma bela comunidade nômade, autônoma, com validade de uma semana, com uma população de +- 70mil pessoas vindas dos quarto cantos, para este “Carnaval de espelhos”. Mas não são pessoas, per se, são alter egos.

Os egos desfilam com roupas que normalmente não usariam por pressão social ou vergonha, mesmo. Dá-lhe couros, tachas, penas sintéticas, botas bem pesadas, topless e muitos goggles, mais precisamente Steampunk goggles (descobri hoje no Google… são designs que visitam o set de “Waterworld” e passeiam pelas montanhas Suíças. Requinte, apesar de peças brutas).

Criatividade em alta.

A areia é tomada por carros alegóricos que vão de Flintstone a coelhinho da Páscoa. A impressão que temos, e esta parte é bem divertida (o festival prega o desapego, tanto é que no sétimo dia todas as estruturas são queimadas) é que embora não tenham wifi ou energia elétrica, a maior parte dos participantes não consegue se desapegar da vida digital. Os passos, as roupas, as caras e bocas são todos documentados para serem posteriormente postadas a exaustão assim que chegaram à cidade grande.

O desapego enquanto prática teórica está lá, mas todos que ‘praticam’ são bem apegados. Não vi uma pessoa que não tenha entrado no clima, (leia-se comprado acessórios e roupas dignos da ocasião) com roupas, looks, e as poses padrão perto das esculturas, ou quem sabe, quem praticou independência não fotografou e eu não puder ver! Ah esta economia do “fotografei logo vivi”!

O bom é que ano que vem tem mais. Quem sabe até lá consigo montar meu enxoval, alugar um trailer, comprar e decorar uma bicicleta, criar um personagem (mentira, porque esta já tenho: Peggy meets Priscilla) e me preparar para uma semana de fotos #burningman.

Cheers!

Dior invadiu o street style

Se fôssemos colocar uma data para esta primeira etapa da ‘invasão’ seria 2014, quando a rainha Rihrhi apareceu com o So Real, espelhadásso, futurista, com a ponte elevada, e aquele porte que só a rainha malcriada do pop tem.

Matadora! Foi o pontapé inicial. Se a Kim Kardashian “Quebrou a Internet” com sua foto na Paper Mag, digamos que a entrada triunfal da Rhianna com seu So Real no desfile da Dior em 2014 teve o mesmo efeito cascata.

Os óculos (que não são baratos) começaram a pipocar nos rostos de ‘quem interessa’: de Anna Dello Russo a Olivia Palermo, passando por Emma Stone e as próprias Kardashians. Todos embarcaram na onda do So Real. Tanto é verdade que não tardou até que a marca lançasse o modelo em diversas combinações de metal e com a lente bi-color.

O furor foi tamanho, que o So Real abriu alas para outras criações como o Dior Technologic, Dior Mirrored, Dior Reflected, Dior Abstract… Dior whatever you want!!!

Até eu cedi… a moda pega!


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