Itália Archives | By The Eyewear
BexSpex

Já temos obviedade suficiente no mundo. bens produzidos em massa o suficiente, ruído suficiente, repetição suficiente, pasteurização suficiente, clones suficientes. Em poucas palavras, eu ouso dizer que esta foi a primeira impressão que tive quando me deparei com BexSpex na Vision Expo East, em março.

A marca não é tão jovem. Criada em 2011 por Rebekah Kouy-Ghadosh, desenhada em São Francisco e produzida à mão na Itália. A marca é fun e descomplicada. Os shapes e as cores fazem você querer sorrir ao ver um BexSpex na rua (lembre-se, que pessoalmente acho que todos os óculos deveriam causar uma reação visceral, caso contrário, são apenas o equivalente a um aparelho dental … e quem precisa ver mais daquilo, verdade?).

O clima geral é de muito feminilidade. As formas têm uma vibe decô, e a combinação de cores vem da paleta vitoriana super difundida na arquitetura de San Francisco, cidade natal de Rebekah. A peculiaridade da marca reside no desejo que Rebekah cria. Todas as peças são limitadas a 250 unidades e basta.

Rebeka parte sempre de um pressuposto que haveria de ser norma para qualquer #SpecsAddict: os óculos mudam quem você é. Você é especial; suas armações também deveriam ser.

Durante a nossa conversa na VEE perguntei a Rebeca o que ela esperava transmitir com seus BexSpex, a resposta dela diz TUDO que você precsia saber sobre a marca:

Quero que as pessoas sintam-se felizes usando meus óculos. Eu quero que elas vivam uma vida de alegria ao se olhar através destas armações divertidas. Acho que os óculos moram entre a necessidade e o querer. Você precisa deles para ver, e você os quer para estar na moda. Eles são a sua chance de deixar sua personalidade à mostra. Eu desenhei os óculos com a esperança de que as pessoas terão muitos bons momentos com eles. Quando você se olhar no espelho, eu quero que você abra um sorrisão.

Agora querida, hora de ir perseguir seu “Meow”, não acha?

Res Rei

Res Rei, From Italy with love.

Ah quanta poesia! Não preciso nem dizer que com um slogan romântico destes eu já fui flechada pelo cupido.

Morri de amores da primeira vez que vi uma foto da Minerva em turquesa, mas foi só namoro mesmo, infelizmente por motivos múltiplos temos pouco acesso ao infindável mercado ótico no Brasil. Lamentações à parte, vejamos quem é esta marca.

Res Rei é uma marca relativamente jovem (4 anos), com poucos pontos de distribuição. A estratégia por trás da criação e da distribuição é ter tempo suficiente para construir uma identidade e atender a clientes que conhecem a marca e sabem o que buscam nos seus óculos. Não são best-sellers e dificilmente veremos instagram posts com 10 iphones e 10 Res Reis alinhados na mesma mesa das trendsetters que fazem alvoroço no almoço.

O nome deriva do latim e quer dizer “A coisa”. Tudo na produção é italiano até o ultimo detalhe. As coleções tem nomes de imperadores e pesadores. Tudo na marca é bem cult e sofisticado. Não é uma marca comercial ou de fácil digestão, até porque o conceito que norteia as coleções não é seguir padrões, mas atender a identidades pessoais dos usuários. Vou repetir porque é o que mais gosto de fazer: Os óculos não deveriam atender a modismos, mas sim ajudar a criar personalidades INDIVIDUAIS, por favor, saíamos da massa amorfa que certa o mundo ready to-eat-wear-made-do!

O design é extremamente delicado, as cores, embora múltiplas, são escolhidas a dedo para conversar com o nome da ‘família’ seja ela a Minerva ou o imperador Aurélio.

Novidade apresentada no Mido que foi bastante vista em outras marcas é o shape hexagonal e a lente base zero. Muitas marcas apostam no acetato mais leve e em brincadeiras de cor, como esta do Giove com uma linha fininha destacando a lente do corpo da armação.

Res Rei é uma marca que vêm sendo construída devagarzinho, mas com o direcionamento de quem sabe o que faz. Vale olhar de perto e investir em um parzinho, uma coisa eu garanto, você não vai cansar de usar e não vai ver muita gente copiando seu estilo por aí.

Perdida em Belluno

Belluno é uma cidade que fica na região do Veneto, a 100km de Veneza. Poderia ser apenas mais uma região pacata da Itália, com uma população pequena, um dialeto próprio, e um cardápio maravilhoso. Mas, esta cidade é de extrema importância para os #SpecsAddicts. Belluno é a capital internacional dos óculos, ou pelo menos foi, antes da entrada da China e da Europa do Leste como players importantes.

Esta pequena cidade ou vilarejo, para quem vem do Brasil, é o cerne da produção de óculos da Itália. Lá são produzidas as peças mais luxuosas e desejadas do mercado. As grandes produtoras (leia-se Luxottica, Safilo, Marchon e Marcolin) tem ao menos uma fábrica na região. Além deles, há dezenas de pequenos produtores que fazem peças para marcas independentes e para aventureiros.

Ingênua, me mandei de Veneza para Belluno de trem, sozinha, com meu celular (porque uma câmera já é transtorno demais) e meu caderninho. Agendei visita em 5 fábricas da região.

Eis que chego à estação de Belluno, atrasada, óbvio, e descubro que Belluno é a capital da província, mas lá não há absolutamente nada, apenas cafés e um pequeno comércio. Um xaveco depois, e um café café mais tarde com um taxista romeno me renderam um passeio até a Zona Industriale 1. O que na minha cabeça seria Belluno, uma cidade gloriosas, agitada e cheia de pessoas fashion usando óculos e roupas bacanérrimas, nada mais era que uma rua, (UMA RUA) com galpões e fabricas de diversos tamanhos, sem nenhuma placa de identificação! Me senti chegando em um filme do Stephen King, onde todos os cidadãos foram abduzidos e eu sobrei, por algum motivo a ser descoberto nos próximos capítulos.

Sem nada a perder bati na porta de algumas fabricas e consegui três entrevistas (a cidade é tão inóspita e mal sinalizada que nunca encontrei as tal 5 fábricas com quem marquei entrevistas). Os meus interlocutores ficaram arrasados ao perceber, lá pelos 10 minutos de conversa, que eu não ia fazer uma grande compra, só gastar o tempo deles mesmo! Mas, esta minha mania de sair falando me rendeu alguns belos passeios em fábricas de ponta, extremamente eficientes, e histórias maravilhosas do processo de elaboração e design de um óculos, que pode levar meses.

Como se não bastasse toda esta emoção, nosso amigo taxista, sim, ele ficou com pena de mim e resolveu me esperar e me dar uma carona até a estação (fofo), decidiu me deixar em outra cidade, há 15 min de Belluno, certo de que lá o trem passaria antes e me levaria direto para Santa Lucia, Veneza. Foi neste ‘cenário’ que o shooting (sem vergonha alguma) aconteceu! O trem demorou apenas 4h. A cidadezinha, fofa, Belluna, não tinha taxis, farmácias ou cafés. A cidadezinha, leia-se uma rua, com casas fechadas por conta dos 40 graus do verão, sem comércio, e sem pessoas, me deixou sozinha com minha imaginação. Fiquei só do lado de fora da estação, claro, pois as estações só abrem quando o trem passa (afff), com meu celular, um montão de histórias e aventuras na cabeça, e ninguém para contar (cadê você Internet quando eu mais preciso???)!

Lá fui eu me entreter com meu celular e o protagonista da vez: Alice goes do Cannes da Anna Karin-Karlsson.

Eye to Eye com Fabrizio Rollo

Existia um momento em que eu estava atrás de um óculos para me esconder ou fazer um tipo, e hoje este tipo não existe mais, porque eu realmente preciso dos óculos, e eles fazem parte de mim como se eu os tivesse usado a vida inteira.

Detalhes

Personagem: Fabrizio Rollo

Olhar: Tatiana Viana

Conheça Jean Philippe Joly

Jean Philippe Joly faz seu debut no mercado ótico com a jovialidade e despretensão que só um verdadeiro #specsaddict tem.

Descobri o novato Jean Philippe Joly lendo sobre o Mido, que acontece todos os anos em Milão, e é como se fosse a semana de moda para o pessoal que curte e trabalha com óculos. Ele participou na área ‘Design Lab’ com outros designers que, como ele, são jovens, audaciosos e criativos.

Os desenhos dele me chamaram a atenção por serem verdadeiramente experimentais e feitos à mão. O próprio JPJ desenvolve seus protótipos usando um equipamento antigo, depois os envia a uma pequena fábrica na Itália para que sejam produzidos com a melhor materia prima do mercado: o acetato Mazzucchelli.

As cores e os formatos são marcantes e há um quê de rusticidade no acabamento, o que dá aos óculos um charme interessante. Com certeza suas criações futuras são algo para deixar no radar.

Conheça Jean Philippe Joly e se apaixone pelo olhar deste jovem designer, cujo compromisso é um só: com seu feeling.

Guia de óticas em Veneza

“Sempre que descrevo uma cidade estou me referindo a Veneza. Uma vez que as imagens da memória são traduzidas em palavras, as memórias se perdem. Talvez eu tenha medo de perder Veneza. Ou quem sabe ao falar de outras cidades eu já a tenha perdido, pouco a pouco.”Polo, Cidades Invisíveis, Ítalo Calvino

Não existem meias palavras ou emoções incompletas quando se trata de Veneza. Não é uma cidade, é uma experiência. Não é antiga ou moderna, ela é em todo seu esplendor, o presente. Os turistas que por lá passam costumam se dividir entre os que amam e os que odeiam esta cidade cercada por 146 ilhas entrelaçadas por 450 pontes.

Para o poeta Brodsky, Veneza está acima da categoria de cidade, é uma vivência, um universo paralelo, um divisor de águas para quem pode se dar ao luxo de caminhar sem pressa por esta cidade que desconhece o movimento de carros, absorvendo seus ruídos, a melodia dos sinos, seus odores e sua infinita paleta de cores. Por lá não se caminha, se flutua.

Esta cidade, muito aquém da categoria de cidade, por ser ela metade conto de fadas e metade realidade, propicia uma sensação constante de ineditismo e descobertas ao se permitir caminhar e se perder em suas infinitas vielas que se desdobram magicamente. Veneza não é moderna, é eterna. Veneza é simplesmente, Veneza. Já dizia Peggy Guggenheim, uma das maiores e mais fiéis amantes que Veneza já teve:

Presume-se sempre que Veneza é a cidade ideal para uma lua de mel, mas é um erro grave. Viver em Veneza, ou simplesmente visitá-la, significa se apaixonar por ela, e no coração não sobra espaço para mais nada.

Fui tomada por este amor súbito, e é para esta cidade que volto a cada dois anos. Um dos motivos é para reviver a cidade mediante à famosa Bienal de Veneza, que a veste como uma criança que se fantasia para uma apresentação escolar. A cada dois anos me deparo com uma nova cidade, com novos artistas, discussões cada vez mais calorosas, premissas e obras inusitadas. Em meio a toda esta arte, encontro também, minha maior fonte de inspiração: a produção ótica que em Veneza (bem como tudo naquela cidade) é pra lá de especial. Ousaria dizer que há algo na água de Veneza (poluição à parte), porque a criatividade dos designers é aquém do resto do mundo. Se as ruas guardam segredos, então os mais bem escondidos são as óticas que abrigam peças esplendorosas.

Veja uma seleção das melhores óticas de Veneza.

Ottica Urbani

Marco Frezzeria 1280, Venezia
Tel. 041 5224140

A loja data de 1952. Por lá já passaram Hemingway, Vedova, Carlo Scarpa e o cliente mais famoso: Elton John. São os três filhos do original Urbani que hoje gerenciam a loja. Todos os modelos são fabricados à mão em Belluno (centro de produção ótico há 3 horas de Veneza), e todas as peças têm uma coisa em comum: design “irônico”, como diz a própria Fosca Urbani. “Um óculos não pode ser apenas um óculos, deve ser uma peça divertida, atraente e excepcional”. Eis o que o visitante encontrará na Urbani. E tenha certeza que será magnificamente bem atendido pelos Urbanis, verdadeiros venezianos, que como bons italianos, são ótimos contadores de história e bons galanteadores. As peças são produzidas em pequena escala, os desenhos são exclusivos e não há outros pontos de venda que não sejam na loja física ou no e-commerce da marca. O endereço ideal para quem busca exclusividade, bons preços e modelos excêntricos.

Ottica Mantovani

Merceria del Capitello, 4860, 30124 Venezia VE, Itália

A Mantovani inaugurou em 1871 e permanece até hoje no mesmo endereço. Ainda é uma ótica familiar, com produção em Belluno. A designer é a Senhora Carlon (filha do Sr. Carlon, que comprou a ótica nos anos 40). Dentre a clientela estão Peggy Guggenheim nos anos 50 e, mais recentemente, Elton John (amante de Veneza e dos óculos). A predileção da Sra Carlon são os clientes com personalidade e audácia, aptos a provar suas criação assimétricas e brincalhonas. Quem for à loja com tempo poderá visitar o pequeno ‘museu’ nos fundos, onde está um acervo invejável com peças raríssimas que datam do início do século 20.

Ottica Carraro

Calle de la Mandola, 3706, 30124 Venezia VE, Itália

A Carraro é mais moderna e menos exclusiva que as outras óticas venezianas. A marca própria é menos expressiva do que os modelos comerciais que a loja vende. Mas, vale ressaltar que o acetato fosco, que ao olho parece emborrachado, é deslumbrante. São poucos modelos e as coleções não são atualizadas anualmente, mas como todos os modelos “fatto a mano” em Belluno, a qualidade é indiscutível. A Carraro é uma boa dica para homens e mulheres com gostos clássicos, amantes dos modelos redondos e de estampas tartaruga.

Micromega

Calle delle Ostreghe, 2436, 30124 Venezia VE, Itália

Imagine entrar no laboratório de um cientista maluco, aquele personagem verdadeiramente clichê, com um óculos transparente high tech, gadgets, e tudo clean ao seu redor. Esta é a sensação que se tem ao entrar na Micromega, uma ótica uber high tech a poucos passos do Campo de San Stefano. É quase incongruente um lugar tão tecnológico em uma cidade tão antiga. A Micromega é destino para quem quer gastar (muito) para ter uma peça exclusivérrima, e ao mesmo tempo tem personalidade de sobra para bancar modelos que se aproximam mais de protótipos do que peças comerciais. A expertise está na produção de modelos em titânio, chifre de búfalo e bamboo. Mas, a graça não está, digamos, no design das armações. A Micromega trabalha as lentes. Ou seja, cada par de lentes é desenhada e recortada a laser formando desenhos delicados de folhas, formas assimétricas, ou contornos geométricos. As peças são muito leves e extremamente delicadas. São muito interessantes (do ponto de vista da fabricação) mas nem sempre lisonjeiros.

 

Ottica Manuela

Salizzada San Samuele, San Marco, 3145

O mix de peças da Manuela é sublime. A decor é super divertida, você se sente em um closet meio decô rodeado por óculos bem descolados e originais. O mix vai se Io Eyewear a PQ, passando por Saturnino. O forte é o design italiano independente, mas isto não significa que não há espaço para o resto do mundo. O time de vendas é descolado e bem humorado. Vale a visita.

 

Peggy Guggenheim por um dia

E se sua meta fosse comprar uma obra de arte por dia?

I took advice from none but the best. I listened, how I listened! That’s how I finally became my own expert.

Peggy Guggenheim, cujo nome verdadeiro era Marguerite, foi uma das colecionadoras e mecenas que mais se destacou no século XX. Peggy adquiriu obras dos artistas contemporâneos mais importantes da época, como Salvador Dali, Joan Miró, Marc Chagall, René Magritte, Jackson Pollock, Giorgio di Chirico, Pablo Picasso, Piet Mondrian, Yves Tanguy e Max Ernst (os três últimos amantes e marido de Peggy, respectivamente).

Peggy levava uma vida excêntrica e boêmia, convivendo com inúmeros artistas, especialmente no período entre-guerras. Este ambiente fervoroso e criativo, e seu faro por tendências, fez dela uma ditadora de modismos.

Segundo reportagem da Vogue, ela gostava de dizer que as roupas refletiam seu estado de espírito e defendia a moda como uma importante expressão artística. Não é de se espantar então que ela tenha elevado o óculos a um outro patamar: arte-desejo.

Entre tantas extravagâncias fashion, uma delas ganhou especial notoriedade, tornando-se um dos ícones de seu estilo: os óculos de sol em formato de borboleta. A peça foi desenhada pelo amigo surrealista Edward Malcarth em 1966. A armação apresenta lentes espelhadas ton-sur-ton, com perfis contrastantes em tons castanhos, remetendo às recordações românticas e reflexões sobre os azuis dos canais de Veneza.

No ano passado, a Safilo lançou uma edição limitada dos icônicos óculos da Peggy em comemoração aos 80 anos da empresa. Os modelos podem ser comprados na fundação Peggy Guggenheim e na Solstice.

Vivenciar Veneza pelas lentes azuis de Malcarth, vendo os canais do terraço da fundação Peggy Guggenheim é um sonho! Passar pela Casa da Peggy com calma é um raro prazer aos amantes de arte. Outra dica é o documentário “Peggy Guggenheim-Art Addict“. O longa metragem conta a história da famosa colecionadora de arte. Em suma, Peggy vai muito além das histórias que ouvimos e lemos, ela era uma desbravadora, uma mulher independente e cheia de atitude antes da invenção de qualquer movimento feminista. Ela é ainda hoje um ícone contemporâneo.

Nem só de abotoaduras vivem os homens

O diabo mora nos detalhes, MESMO!

Fuçando (como sempre) o vasto universo digital me deparei com mais uma destas iniciativas que me fez perguntar: por que não fui eu a desenvolver isto?

A Lio, marca italiana nascida no berço ótico do mundo, Belluno, desenvolveu a linha “klip”. Tão simples como uma abotoadora. A 10 Euros cada par é possível mudar os detalhes da haste do seu óculos TODO DIA! Dado, claro que o óculos seja comprado da Lio.

O sistema é simplérrimo, na lateral das hastes há um quadradinho em imã, no mesmo espaço normalmente usado por marcas para expor suas logos. Neste caso o design e a escolha ficam por sua conta. Há dezenas de klips, nas mais variadas cores e estampas para serem colocados na lateral do óculos. Fabuloso, né? Achei fantástico principalmente para os homens, que muitas vezes são avessos a extravagâncias mas bem sabemos que eles curtem uns detalhes. Né? Gatas, saibam que a Lio também tem uma linha feminina e uma caixa para colecionadores guardarem seus pares de klips em ordem. Show!


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