Opening Ceremony Archives | By The Eyewear
Peso x Leveza

O seu drama não era o drama do peso, mas o da leveza. O que se abatera sobre ela não era um fardo, mas a insustentável leveza do ser.

A Insustentável leveza do ser

Milan Kundera

A aproximação do final do ano sempre invoca uma autorreflexão com questionamentos acerca de uma etapa que se encerra: e agora? Será que cumpri as metas deste ano? O que ”fazer” e pretendo “ser” no ano que vem? Será…? E se…? Quando? Estas reflexões que todos nós fazemos, em maior ou menor grau, conduziu-me a pensar em um tema que, neste ano, mais do que nunca, devido ao lançamento do BTE, sempre me acompanhou: até que ponto meus óculos me definem?

A resposta é simples: Não me definem… Mas através deles, eu me posiciono. Sou uma apaixonada por óculos ou, como dizem por aí, heavy user! Logo, afirmo: nenhum objeto externo é capaz de nos dizer quem somos. Mas com estas “ferramentas” podemos moldar quem queremos ser.

Pensando nesta proposta, e tendo em mente a responsabilidade e o “peso” de usar modelos exóticos, de buscar direcionar olhares, de querer que as pessoas pensem alguma coisa só de olhar para o meu rosto, revisitei a obra prima de Milan Kundera. A partir da dualidade unitária do Ser, daquele que sabe o que é, e daquele outro que surge da presença de uma entidade – neste caso, meus óculos – apresento o ensaio a seguir: .

“A leveza do rosto desnudo x o peso de um rosto cuja visão está restrita ao campo de uma armação. A leveza do ser como ele é x o peso de um rosto que se posiciona. A leveza de sermos iguais x o peso de buscar se destacar. A leveza de um balão x o peso dos óculos… tal é este ensaio, que busca equilíbrio, seja nas armações translúcidas, na paleta de cores pastel, na brincadeira das expressões”.

Um convite para pensar e, quiçá, em 2016, sair da sua zona de conforto e entrar para a turma dos que #UsamÓculosComOrgulho. Experimente uma armação nova busque ver o mundo com um outro olhar, ouse se apresentar de outra maneira, com uma cor ou um modelo novo no rosto.

Fica o convite. E se precisar de uma ajudinha, estou por aqui 🙂

O que ficou dos desfiles de setembro

O que devemos levar da #NYFW

A Osklen de Oskar Metsavaht levou a NY a tribo indígena Asháninka, uma das maiores da América do Sul, que mora em comunidades que vão desde os rios brasileiros até as bacias hidrográficas nos Andes peruanos. A coleção segue na toada da discussão em torno do minimalismo, da natureza e da beleza sem esforço, mesmos conceitos apresentados no #SPFW.

Os óculos de sol foram de fato a cereja do bolo. Oskar desfilou peças leves, fluidas e com formas orgânicas, dignas de habitar uma floresta, com uma paleta de cor natural e acetatos translúcidos. Embora os modelos sejam grandes (alguns se assemelham às mascaras apresentadas pelo Gucci em 2014), a leveza está na cor e na translucidez.

As peças são maravilhosas, leves e femininas. Compõe sem nenhuma agressão.

Mudando completamente o foco….

Se viemos de uma coleção ‘natural’ focada na geografia e na história de tribos indígenas, fast forward para o futuro, o movimento e a tecnologia.

Opening Ceremony apresentou uma coleção de cair o queixo e se jogar na passarela, literalmente. A marca colaborou com o New York City Ballet e quem desfilou foram dançarinas. Não, na verdade elas não desfilaram, coreografaram diversas quedas na passarela aguçando a curiosidade dos convidados. “Serão estas modelos mesmo tão estabanadas”? Não queridinha, são performers! Ha!

Os movimentos chamavam a atenção, claro, mas o que de fato tirou o fôlego foram os óculos desenvolvidos em parceria com a sul Koreana, Gentle Monster (mesma marca por trás da collab com HBA, sobre a qual escrevemos).

A direção criativa do desfile estava pautada nos desenhos e na cultura do arquiteto Americano Frank Loyd Wright. Logo, formas arquitetônicas deveriam transparecer. Os óculos visitam design e técnicas usadas por designers no século 20 para criar móveis atemporais. As lentes redondas homenageiam os espelhos da década de 50.

O melhor de tudo? Os óculos estavam à venda durante o desfile através da Spring

Pausa e corte seco para uma mulher ultra feminina e mergulhada em uma fase ‘rosa’

Ícone de sofisticação, a grand dame Carolina Herrera conseguiu apresentar sua coleção no Frick Collection (primeira vez que isto acontece), deixando claro que suas produções deveriam se equiparar a obras de arte (point taken!)

O desfile explorou delicadeza, sensualidade e transparência moderada. Herrera acredita que sexy é ser sedutora e, para tanto, foco no mistério. Dito isto, as modelos revelavam sem revelar.

A poesia das roupas contrastava com a escolha dos óculos de sol. Os modelos são fortes, com cores vibrantes e acetato opaco. Lentes espelhadas e outras completamente escuras. Nenhuma fluidez. Peças modernas, muito rosa (claro), mas nada de outro mundo. Talvez a maior ousadia tenha sido na escolha da ponte alta.

The secret of being boring is to say everything.

 _ Herrera

Você pode sentar conosco

O enfant terrible da moda, um jovem avesso às rígidas regras, um que ainda não tem sua própria página no Wikkipedia, Shayne Oliver, fez mais uma entrada triunfal de tirar o fôlego em seu desfile no #NYFW.

O designer por trás da marca Hood By Air mergulhou na sua infância no Caribe, na nostalgia dos anos 90 e no trending topic all over social media: the Kardashians, para montar sua coleção SS16.

O desfile, que aconteceu em uma sala dentro da Penn Station, tinha como ambientação um refeitório de qualquer colégio, com bancos, luz fria, e muitos olhos prontos para julgar e lançar fofocas. Um ambiente bem adolescente, propício para fofocas e trocas de farpas. Foi nesta locação, que Oliver quebrou as rígidas regras da indústria, (leia-se casting, makeup, nudes e sexo).

Ocuparam a passarela modelos sem gênero definido, muita nudez e maquiagens interrompidas ainda na etapa ‘pele’.

À primeira vista poderíamos achar que os modelos estavam com uma pintura tribal ou máscaras ‘nudes’ circenses, mas na verdade, o buraco é muito mais embaixo. Os modelos estavam expondo as famosas técnicas de contorno que as Kardashians vêm explorando a exaustão desde muito tempo.

O conceito que norteou a direção criativa é a busca pela perfeição artificial, muito difundida pelas irmãs Kardashian em suas redes sociais e agora no Youtube. As etapas que antecedem o brilho e a pele perfeita, contam com a aplicação maciça de bases de diferentes tons em pinceladas grosseiras e nada atraentes.

A responsável por criar o beauty para o desfile, Inge Grognard da MAC Cosmetics, resumiu o que Shayne queria que as pessoas sentissem ao ver aquelas modelos seminuas e com peles literalmente expostas:

“Por que será que os jovens – que já são praticamente perfeitos- acham que precisam de todas estas coisas para ficar ainda mais bonitos? [Os looks apresentados] questionam esta busca incessante pela beleza e se encaixam perfeitamente na coleção SS16”

Enquanto os corpos estavam expostos com macacões e uniformes completamente recortados, esquecendo do pudor da rigidez das normas que regem qualquer ambiente educacional, no rosto os modelos trouxeram máscaras e viseiras. As peças todas pesadas, com lentes super escuras foram produzidas pela Gentle Monster, e serviram como contra ponto a toda esta exposição.

Se os corpos caminhavam sem pudor, as identidade permaneceram bem guardadas atrás de grossas armações conceituais. Outras marcas também trouxeram os óculos para dentro da coleção como Opening Ceremony e House of Herrera. Viram? Óculos é a nova bolsa! Saiu no NYFW!

Show!!!!


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