SPFW Archives | By The Eyewear
Quem nunca pirou num backstage?

Quem nunca?

Raras as meninas que não sonhavam ou sonham em ser modelo. Poucas têm a chance de vivenciar de perto editoriais, desfiles e semanas de moda. Quem passa por um backstage não sai incólume.

Quem está sentado esperando o desfile começar nem imagina a tensão, a adrenalina, e o nervosismo que reinam por trás das passarelas. Os protagonistas buscam ferramentas para manter a calma e o foco, enquanto os coadjuvantes tentam abraçar o frio na barriga da melhor maneira que conhecem. As técnicas de distração são múltiplas: reza, leitura, palavras cruzadas, instagram, crochê, bate papo, facebook, snap chat, silêncio, sorrisos, abraços…. porém nada é capaz de tirar o foco das meninas e meninos que terão um pouco mais de 2 minutos para brilhar, ousar, marcar presença com um passo mais forte, uma jogada de cabelo ou um olhar matador. A pressão é imensa, mas também é a recompensa.

Neste ambiente meio mítico, meio circense onde todos se viram para acertar os últimos detalhes, onde tudo parece de fato ter ficado para o último minuto, temos olhares ocultos que documentam esta vida paralela. Mostram quão humanos são as figura míticas que iremos idolatrar em questão de minutos na passarela. Os cliques inesperados, mas por eles bem calculados, são valiosíssimos e flagram um misto de emoções, concentração, o momento da transformação e todo este buzz que muitas pessoas se quer sonham acontecer. Sergio Caddah é um destes olhares que passeia livremente por backstages há mais de 10 anos e tem um tino para capturar aquele olhar desprotegido, o detalhe do make, um fio de cabelo que não quer se aquietar, um foco de luz que aponta para uma bancada cheia de informações, uma modelo sozinha, um passo, um produtor,  e pah, elas embarcam na passarela. Show time!

O olhar é todo dele, o mestre do backstage: @caddah

A agência por trás do mestre: @agfotosite

O que ficou dos desfiles de setembro

O que devemos levar da #NYFW

A Osklen de Oskar Metsavaht levou a NY a tribo indígena Asháninka, uma das maiores da América do Sul, que mora em comunidades que vão desde os rios brasileiros até as bacias hidrográficas nos Andes peruanos. A coleção segue na toada da discussão em torno do minimalismo, da natureza e da beleza sem esforço, mesmos conceitos apresentados no #SPFW.

Os óculos de sol foram de fato a cereja do bolo. Oskar desfilou peças leves, fluidas e com formas orgânicas, dignas de habitar uma floresta, com uma paleta de cor natural e acetatos translúcidos. Embora os modelos sejam grandes (alguns se assemelham às mascaras apresentadas pelo Gucci em 2014), a leveza está na cor e na translucidez.

As peças são maravilhosas, leves e femininas. Compõe sem nenhuma agressão.

Mudando completamente o foco….

Se viemos de uma coleção ‘natural’ focada na geografia e na história de tribos indígenas, fast forward para o futuro, o movimento e a tecnologia.

Opening Ceremony apresentou uma coleção de cair o queixo e se jogar na passarela, literalmente. A marca colaborou com o New York City Ballet e quem desfilou foram dançarinas. Não, na verdade elas não desfilaram, coreografaram diversas quedas na passarela aguçando a curiosidade dos convidados. “Serão estas modelos mesmo tão estabanadas”? Não queridinha, são performers! Ha!

Os movimentos chamavam a atenção, claro, mas o que de fato tirou o fôlego foram os óculos desenvolvidos em parceria com a sul Koreana, Gentle Monster (mesma marca por trás da collab com HBA, sobre a qual escrevemos).

A direção criativa do desfile estava pautada nos desenhos e na cultura do arquiteto Americano Frank Loyd Wright. Logo, formas arquitetônicas deveriam transparecer. Os óculos visitam design e técnicas usadas por designers no século 20 para criar móveis atemporais. As lentes redondas homenageiam os espelhos da década de 50.

O melhor de tudo? Os óculos estavam à venda durante o desfile através da Spring

Pausa e corte seco para uma mulher ultra feminina e mergulhada em uma fase ‘rosa’

Ícone de sofisticação, a grand dame Carolina Herrera conseguiu apresentar sua coleção no Frick Collection (primeira vez que isto acontece), deixando claro que suas produções deveriam se equiparar a obras de arte (point taken!)

O desfile explorou delicadeza, sensualidade e transparência moderada. Herrera acredita que sexy é ser sedutora e, para tanto, foco no mistério. Dito isto, as modelos revelavam sem revelar.

A poesia das roupas contrastava com a escolha dos óculos de sol. Os modelos são fortes, com cores vibrantes e acetato opaco. Lentes espelhadas e outras completamente escuras. Nenhuma fluidez. Peças modernas, muito rosa (claro), mas nada de outro mundo. Talvez a maior ousadia tenha sido na escolha da ponte alta.

The secret of being boring is to say everything.

 _ Herrera


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